Suspeita de Parkinson: Entenda os Sinais Motores e Não Motores
- neuromarceloaureli
- há 3 horas
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Introdução
Quando pensamos na Doença de Parkinson, a imagem mais comum que vem à mente é o tremor. No entanto, essa condição neurológica é complexa e pode manifestar sinais muito antes de qualquer alteração no movimento aparecer.
A suspeita de Parkinson geralmente surge quando o paciente ou a família notam mudanças sutis na agilidade, na postura ou até mesmo no sono e no olfato. Neste artigo, explicamos como esses sinais se dividem e como o neurologista realiza a investigação para confirmar ou descartar o diagnóstico.
O que é a Doença de Parkinson?
A Doença de Parkinson é uma condição degenerativa do sistema nervoso central, causada principalmente pela diminuição da produção de dopamina, um neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos e outras funções cerebrais.
Embora seja mais frequente após os 60 anos, os sintomas podem começar de forma leve e progredir lentamente ao longo do tempo. O diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o acompanhamento e preservar a qualidade de vida.
Sinais Motores: O que observar?
Os sintomas motores são aqueles relacionados diretamente ao movimento e à coordenação. São os mais clássicos da doença e costumam ser os motivadores da primeira consulta.
Lentidão de movimentos (Bradicinesia)
Muitas vezes confundida com o envelhecimento natural, a bradicinesia torna as tarefas diárias mais difíceis. Abotoar uma camisa, levantar-se de uma cadeira ou caminhar podem exigir mais tempo e esforço do que o habitual.
Tremor de repouso
Diferente de outros tremores, o tremor do Parkinson geralmente acontece quando a mão ou a perna estão relaxadas (em repouso) e tende a diminuir quando a pessoa inicia um movimento voluntário. Frequentemente, começa em apenas um lado do corpo (assimetria).
Rigidez muscular
Sensação de que os músculos estão “presos” ou tensos, o que pode limitar a amplitude de movimento e, em alguns casos, causar dor ou desconforto nos ombros e membros.
Instabilidade postural
Dificuldade em manter o equilíbrio, o que pode aumentar o risco de quedas ou tropeços.
Sinais Não Motores: O lado invisível do Parkinson
Muitos pacientes não sabem, mas o Parkinson pode apresentar sinais que não envolvem movimento, conhecidos como sintomas não motores. Eles podem surgir anos antes dos sintomas motores.
Alterações no sono: Agitação durante a noite, falar dormindo ou movimentos bruscos (conhecido como Transtorno Comportamental do Sono REM).
Perda de olfato (Hiposmia): Dificuldade para sentir cheiros ou identificar odores, que não está relacionada a gripes ou alergias.
Constipação intestinal: O intestino preso crônico pode ser um sinal precoce de alterações no sistema nervoso autônomo.
Alterações de humor: Quadros de ansiedade, apatia (falta de motivação) ou depressão podem anteceder ou acompanhar os sintomas motores.
Mudanças na caligrafia: A letra pode ficar menor e mais “apertada” (micrografia).
Como é feita a investigação neurológica?
Não existe um exame de sangue ou de imagem único que confirme o Parkinson isoladamente. O diagnóstico é essencialmente clínico, feito pelo neurologista através de uma avaliação detalhada.
História Clínica: O médico investiga o início dos sintomas, a evolução e a presença dos sinais não motores descritos acima.
Exame Neurológico: Testes específicos de coordenação, reflexos, rigidez e marcha para identificar os padrões característicos da doença.
Prova terapêutica: Em alguns casos, a resposta positiva a medicamentos específicos (levodopa) ajuda a corroborar o diagnóstico.
Exames Complementares: Ressonância magnética ou cintilografia cerebral (SPECT) podem ser solicitados, principalmente para descartar outras doenças que imitam o Parkinson (parkinsonismo).
Conclusão
Ter um ou mais desses sintomas não significa necessariamente que você tem Parkinson, pois outras condições podem causar sinais semelhantes. A avaliação médica especializada é a única forma de esclarecer a causa e definir a melhor conduta.
Se você notar tremor de repouso, lentidão inexplicável ou alterações no sono e olfato, agende uma avaliação neurológica para tirar suas dúvidas.

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