Mudança de Comportamento: Avaliação de Humor, Personalidade e Tomada de Decisão
- neuromarceloaureli
- há 3 horas
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Introdução
Quando pensamos em doenças neurológicas, geralmente lembramos de esquecimentos ou tremores. Porém, o cérebro também é responsável por quem somos: nossa personalidade, nosso humor e nossa capacidade de julgar o que é certo ou errado.
Muitas vezes, a família nota que o idoso ficou "diferente": mais quieto, explosivo, desconfiado ou fazendo comentários inadequados. Essas mudanças de comportamento não devem ser ignoradas, pois podem ser os primeiros sinais de condições neurológicas que exigem tratamento e compreensão.
O Lobo Frontal e a Personalidade
A região frontal do cérebro é a "maestrina" do nosso comportamento. Ela controla:
Iniciativa: Vontade de fazer as coisas.
Freio Social: Capacidade de filtrar o que falamos ou fazemos em público.
Planejamento: Organizar tarefas sequenciais (como cozinhar).
Julgamento: Saber se algo é perigoso ou inadequado.
Quando essa área é afetada (seja por envelhecimento patológico, AVC ou doenças degenerativas), a pessoa muda.
Sinais de Alerta: O que observar?
As alterações comportamentais podem se manifestar de formas opostas:
1. Apatia e Falta de Iniciativa
O paciente perde o interesse por hobbies, cuidados pessoais ou interação social. Parece "preguiçoso" ou deprimido, mas não sente a tristeza profunda da depressão; apenas uma falta de "motor" para agir. Fica horas sentado sem fazer nada se não for estimulado.
2. Desinibição e Impulsividade
A pessoa perde o filtro social. Pode fazer comentários ofensivos ou sexuais inapropriados, gastar dinheiro compulsivamente, comer de forma exagerada (especialmente doces) ou agir de forma infantil e egoísta.
3. Irritabilidade e Agressividade
Pavio curto, teimosia excessiva e reações desproporcionais a pequenos contratempos. Em casos mais graves, pode haver agressividade verbal ou física.
4. Delírios e Alucinações
Acreditar que está sendo roubado (delírio de roubo), que o cônjuge é um impostor ou ver pessoas/animais que não existem. Isso é comum em fases moderadas de demência ou na Demência de Corpos de Lewy.
Causas Neurológicas Comuns
É crucial diferenciar se a mudança é psiquiátrica (depressão, bipolaridade) ou neurológica:
Demência Frontotemporal (DFT): Afeta principalmente a personalidade e a linguagem, muitas vezes antes dos 60 anos. A memória pode estar preservada no início, mas o comportamento muda drasticamente.
Doença de Alzheimer: Embora a memória seja o marco, fases iniciais podem ter apatia e ansiedade; fases moderadas podem ter agitação e delírios.
AVC ou Tumor Cerebral: Lesões em áreas específicas podem causar mudanças súbitas de comportamento.
Infecções ou Distúrbios Metabólicos: Em idosos, uma simples infecção urinária pode causar confusão mental aguda e agitação (Delirium).
Avaliação: Humor, Personalidade e Decisão
A consulta neurológica para queixas comportamentais envolve:
Entrevista com Familiar: Essencial, pois o paciente muitas vezes não percebe que mudou (anosognosia).
Inventário Neuropsiquiátrico: Questionários sobre sintomas como agitação, depressão, ansiedade, apatia, desinibição, etc.
Avaliação Cognitiva: Testes que focam em funções executivas (controle inibitório, flexibilidade mental).
Exames de Imagem: Para visualizar atrofia em regiões frontais ou temporais.
Conclusão
Entender que a mudança de comportamento faz parte da doença, e não é "pirraça", é libertador para a família. O diagnóstico correto permite:
Ajustar o ambiente: Reduzir gatilhos de estresse.
Medicamentos: Controlar a impulsividade, melhorar a apatia ou tratar alucinações.
Suporte: Orientar cuidadores sobre como lidar com as alterações.
Se você notou que seu familiar "não é mais o mesmo", agende uma avaliação. A neurologia comportamental pode oferecer respostas e estratégias de manejo.

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