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Esquecimento e Confusão: Avaliação de Memória, Atenção e Funcionalidade

  • Foto do escritor: neuromarceloaureli
    neuromarceloaureli
  • há 3 horas
  • 2 min de leitura

Introdução

Esquecer onde deixou as chaves, o nome de um conhecido ou o que ia fazer na cozinha. Quem nunca passou por isso?

Pequenos lapsos de memória são comuns e podem acontecer com qualquer pessoa, em qualquer idade, especialmente em momentos de estresse ou cansaço. Porém, quando o esquecimento se torna frequente, começa a atrapalhar a rotina ou vem acompanhado de confusão mental, é hora de acender o sinal de alerta.

Neste artigo, vamos explicar como diferenciar o esquecimento normal do patológico e como é feita a avaliação neurológica da memória e cognição.


Esquecimento Normal vs. Patológico

O envelhecimento traz mudanças naturais no cérebro, como uma leve lentidão para processar informações. Mas o esquecimento não deve impedir a vida independente.


Sinais de Alerta (Patológico)

  • Esquecer informações recém-aprendidas (perguntar a mesma coisa várias vezes).

  • Dificuldade para realizar tarefas familiares (cozinhar, usar o telefone, dirigir em locais conhecidos).

  • Desorientação temporal (não saber o dia, mês ou ano) ou espacial (perder-se em lugares conhecidos).

  • Problemas de linguagem (esquecer palavras simples ou substituir por termos incorretos).

  • Mudanças de humor ou comportamento (apatia, irritabilidade, desinibição).

  • Perda de objetos (colocar coisas em lugares inapropriados e não conseguir retraçar os passos).


Causas Comuns de Esquecimento

Nem todo problema de memória é Alzheimer. Diversos fatores reversíveis podem afetar a cognição:

  • Ansiedade e Depressão: A mente preocupada tem dificuldade de focar e registrar novas informações (pseudodemência).

  • Deficiência de Vitaminas: Falta de B12, por exemplo, pode causar sintomas neurológicos e cognitivos.

  • Hipotireoidismo: Alterações na tireoide podem deixar o raciocínio lento.

  • Medicamentos: Remédios para dormir, alergia ou dor podem causar confusão e sonolência.

  • Apneia do Sono: Dormir mal prejudica a consolidação da memória.

  • TDAH no Adulto: Dificuldade de atenção que leva a falhas de memória secundárias ("não esqueci, só não prestei atenção").


A Avaliação Neurológica da Memória

Quando você procura um neurologista com queixas de memória, a avaliação vai muito além de "conversar". Ela investiga três pilares: Memória, Atenção e Funcionalidade.


1. Anamnese Detalhada

O médico ouve o paciente e, fundamentalmente, um familiar ou acompanhante (informante confiável) para entender a frequência e impacto dos esquecimentos.


2. Testes Cognitivos (Rastreio)

São aplicados testes padronizados (como o Mini-Exame do Estado Mental ou MoCA) para avaliar objetivamente:

  • Memória de curto prazo: Repetir palavras após alguns minutos.

  • Atenção e cálculo: Contas simples ou soletrar ao contrário.

  • Linguagem e Visuoespacial: Nomear objetos, desenhar relógio.

  • Funções Executivas: Planejamento e organização.


3. Exames Complementares

  • Sangue: Para descartar causas reversíveis (tireoide, vitaminas, infecções).

  • Imagem (Ressonância ou Tomografia): Para verificar atrofia cerebral (sinal de Alzheimer), AVCs silenciosos ou tumores.


Funcionalidade: O Divisor de Águas

O ponto chave para diferenciar o Comprometimento Cognitivo Leve (CCL) da Demência é a funcionalidade.

  • CCL: A pessoa tem queixas e testes alterados, mas mantém sua independência (paga contas, toma remédios, sai sozinha).

  • Demência: O declínio cognitivo é suficiente para interferir na autonomia do dia a dia.


Conclusão

Cuidar da memória é cuidar da independência futura. Se você ou um familiar notam mudanças na capacidade de lembrar ou realizar tarefas, não assuma que é "apenas da idade".

A avaliação precoce permite identificar causas tratáveis e, nos casos de doenças neurodegenerativas, iniciar o manejo para preservar a qualidade de vida pelo maior tempo possível.

 
 
 

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Dr Marcelo Aureliano, neurologista em consultório em Ribeirão Preto, em postura profissional.

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